A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.


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12 de abril de 2019

O Chamado



15 anos de Ministério Público

Vocação vem do verbo latino vocovocare, que quer dizer "chamar". Quem se dedica a uma vocação dedica-se a um chamado interior.

Er, soldado morto em batalha, foi o único que voltou para contar o que viu no além. No mito de Er, tratado em “A República” de Platão, descobre-se, entre outras coisas, que a alma é quem escolhe o corpo a ser ocupado conforme sua vocação.

Digo aos jovens, sobretudo aos concurseiros, para não se contentarem com um emprego, uma profissão, ou mesmo uma carreira. Busquem a vocação!

Alguém – não me lembro quem – disse que “quando seguimos a nossa vocação, o cansaço é mais fácil de suportar, as decepções são como combustíveis, as vitórias são diferentes de tudo que já sentimos”. É verdade!

Sou grato à vocação ter me impelido a prestar 5 concursos públicos, todos eles para a carreira do Ministério Público. Sempre sonhei em ser Promotor de Justiça, não importava onde.

Há exatamente 15 anos, com 25 anos de idade, ao tomar posse no cargo de Promotor de Justiça, jurei realizar o correto manejo da Lei, para encontrar o Direito e, por consequência, promover a Justiça.

Guardo na parede da memória, com carinho e saudosismo, quadros que retratam a geografia, o povo e os costumes de cada uma das comarcas onde atuei.

Tenho muito orgulho de tudo o que fiz até aqui no exercício do meu ofício, mas tenho a absoluta consciência de que há muita coisa ainda para ser feita. Não foi pouco o que fiz, mas está longe de ser o suficiente. Noutras palavras, pouco importa o que já foi feito até aqui... o que interessa mesmo é a renovação do entusiasmo e da capacidade de continuar fazendo. Para usar um clichê da moda: ser um fazedor (maker).

O exercício do cargo de Promotor de Justiça é sinônimo de sacrifício (palavra formada por sacro + ofício). Vale dizer, é trabalho sagrado que extrapola a esfera pessoal de quem o exerce, pois traz benefícios para além de si. As causas de seu agir são das mais nobres que um cargo público pode conferir àquele que o ocupa. É a defesa do regime democrático, da ordem jurídica e dos valores superiores da sociedade (vida, liberdade, dignidade, justiça...).

As palavras do poeta amazonense Thiago de Mello traduzem como um sapato chinês os membros do Ministério Público: “Não somos nem melhores nem piores. Somos iguais. Melhor é a nossa causa”. Temos lado: defendemos a sociedade! Está lá no artigo 127 da Constituição Federal.

Cuida-se de uma atividade pública gratificante e realizadora, umbilicalmente ligada aos altos interesses da comunidade... uma missão de vida!

“Fazer o que você gosta é liberdade. Gostar do que você faz é felicidade”. O famoso desenhista americano Frank Tyger assertou e acertou.

Sou livre e feliz!

Por César Danilo Ribeiro de Novais, Promotor de Justiça no Estado de Mato Grosso e Editor do Bogue "Promotor de Justiça".

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O Ministério Público que queremos e estamos edificando, pois, com férrea determinação e invulgar coragem, não é um Ministério Público acomodado à sombra das estruturas dominantes, acovardado, dócil e complacente com os poderosos, e intransigente e implacável somente com os fracos e débeis. Não é um Ministério Público burocrático, distante, insensível, fechado e recolhido em gabinetes refrigerados. Mas é um Ministério Público vibrante, desbravador, destemido, valente, valoroso, sensível aos movimentos, anseios e necessidades da nação brasileira. É um Ministério Público que caminha lado a lado com o cidadão pacato e honesto, misturando a nossa gente, auscultando os seus anseios, na busca incessante de Justiça Social. É um Ministério Público inflamado de uma ira santa, de uma rebeldia cívica, de uma cólera ética, contra todas as formas de opressão e de injustiça, contra a corrupção e a improbidade, contra os desmandos administrativos, contra a exclusão e a indigência. Um implacável protetor dos valores mais caros da sociedade brasileira. (GIACÓIA, Gilberto. Ministério Público Vocacionado. Revista Justitia, MPSP/APMP, n. 197, jul.-dez. 2007)