A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.


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15 de julho de 2007

A Ética do Morango


Nunca pensei que uma caixinha de morango pudesse ensinar tanto a respeito da vida. Mas ela pode dizer muito.

Numa caixinha plástica, envoltos numa proteção transparente, estão expostos para o deleite dos olhos os mais belos e tenros morangos. Em formato de coração, adornado com um vermelho intenso e chamativo, o falso-fruto mostra todo seu esplendor na parte superior da caixinha.

A beleza, tão efêmera, está em sua magnificência e conquista os olhos do consumidor, que encantado, compra o pacotinho para saborear os morangos. Ao abri-lo, uma surpresa. Por debaixo da beleza, há um falso-fruto raquítico, feio, amassado. Pequeno, muitas vezes mofado, seu destino não é tocar os lábios e ser degustado: ele segue para o lixo.

Esse acontecimento segue de norte para uma pequena reflexão.

Resume a idéia da “ética do morango”, ou seja, aquela que vende a beleza, ludibria os olhos e lucra com algo que ninguém compraria.

Nas relações pessoais, há muitos que se utilizam desse artifício. Enganam e sabem lograr com um conjunto de palavras, com sorrisos e maleabilidades corporais o seu próximo. A ética deles é vender uma coisa e fazer outra.

Articulistas, jornalistas, vendedores, políticos, ambulantes, desempregados, uma gama muito “seleta” de pessoas age de acordo com a ética do morango. Pregam uma coisa e fazem outra. É a hipocrisia tomando lugar da verdade e contagiando muitos: se ele engana e lucra com isso, por que eu não posso enganar e lucrar com o próximo também?

Há de se levar em consideração que, ao agir dessa forma – enganar pra tirar proveito – fere-se um dos princípios básicos da boa conduta, que nesse caso é a honestidade. Por ela se entende a condição de ser honesto – algo que, infelizmente, é um valor em extinção e que necessita urgentemente renascer dos escombros das relações pessoais.

Longe de lições de moral: honestidade é prêmio que se conquista dia a dia. O maior lucro advindo dela não é material e não se contabiliza. Ele vem por meio da consciência limpa. Vale a pena ser honesto e se empenhar em transmitir essa idéia, pois a podridão (cedo ou tarde) vem à tona e demonstra que, por detrás dos belos morangos, há aqueles que estão mofados e que precisam ser eliminados.

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O Ministério Público que queremos e estamos edificando, pois, com férrea determinação e invulgar coragem, não é um Ministério Público acomodado à sombra das estruturas dominantes, acovardado, dócil e complacente com os poderosos, e intransigente e implacável somente com os fracos e débeis. Não é um Ministério Público burocrático, distante, insensível, fechado e recolhido em gabinetes refrigerados. Mas é um Ministério Público vibrante, desbravador, destemido, valente, valoroso, sensível aos movimentos, anseios e necessidades da nação brasileira. É um Ministério Público que caminha lado a lado com o cidadão pacato e honesto, misturando a nossa gente, auscultando os seus anseios, na busca incessante de Justiça Social. É um Ministério Público inflamado de uma ira santa, de uma rebeldia cívica, de uma cólera ética, contra todas as formas de opressão e de injustiça, contra a corrupção e a improbidade, contra os desmandos administrativos, contra a exclusão e a indigência. Um implacável protetor dos valores mais caros da sociedade brasileira. (GIACÓIA, Gilberto. Ministério Público Vocacionado. Revista Justitia, MPSP/APMP, n. 197, jul.-dez. 2007)