A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.


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28 de janeiro de 2008

Perguntas que não querem calar


* Por que será que o Congresso inventou o senador sem voto? Terá sido por esperteza ou por ingenuidade? O que você acha?

* Os advogados de defesa, em geral, aconselham o acusado a mentir, falsear a assinatura e, noutras situações, lançam mão de sucessivas chicanas até o crime prescrever. Pergunto: esses advogados estão a serviço da Justiça ou do crime?

* Se a Justiça deve ser igual para todos, por que o presidente da República, os governadores, prefeitos, ministros, deputados, senadores, têm foro privilegiado?

* Os traficantes exercem um domínio de terror sobre os favelados. Em sua opinião, esse é um problema dos próprios favelados ou o governo deve intervir em defesa deles?

* Ninguém duvida da existência de policiais corruptos, que colaboram com o crime organizado. Pode-se contar com uma polícia corrupta para defender os cidadãos?

* Os traficantes têm verdadeiros arsenais de guerra em seus redutos. Não lhe parece que é obrigação policial apreender essas armas?

* A coisa mais comum, hoje em dia, é bandido executar policial fora de serviço. Já soube de alguma entidade, dessas que defendem os direitos humanos, que tenha manifestado seu repúdio a essas execuções? Já se perguntou por quê?

* Já lembrou que policiais são cidadãos como nós, têm mulher, filhos, pai, mãe e arriscam a vida em defesa da sociedade, por um salário que às vezes mal passa de R$ 1.000?

* Terão as pessoas se dado conta de que a polícia, no Estado democrático, é um órgão criado para fazer cumprir as leis e dar segurança aos cidadãos? Que não foi o policial que inventou a polícia e que ele está ali como um profissional? Ou devemos acabar com ela e cada um irá se defender dos bandidos do jeito que puder? Certo não seria melhorá-la?

* Sabia que já há condomínios, em bairro da zona sul do Rio, dominados pelo Comando Vermelho? Num desses condomínios, um morador, cuja filha fora cooptada pela gangue de drogados, ameaçou denunciar o que estava ocorrendo, mas desistiu. Sabe por que desistiu? O síndico o aconselhou a não fazê-lo, se quisesse continuar vivo. Na semana seguinte, ele pôs o apartamento à venda e se mandou de lá. O que faria você?

* Não é estranho que o governo Lula favoreça especuladores estrangeiros -que lucram até 90%-, em detrimento do capital produtivo que cria empregos e paga impostos?

* Você soube que, durante as operações policiais na favela do Alemão, um dos chefes do tráfico ordenava a seus comparsas que atirassem nos moradores? E que há moradoras idosas pagas por eles para declarar que quem atirou foi a polícia?

* Processos indenizatórios contra o governo demoram de dez a 20 anos para serem julgados. E quando o cara ganha e é autorizado o pagamento, o governo simplesmente não paga, ignora a ordem judicial e a Justiça finge que não vê. Por quê?

* Quando há operações policiais nas favelas, os moradores são obrigados a deixar a porta da casa aberta, para que os traficantes possam se esconder. Quem não obedece morre. Já imaginou isso em seu bairro?

* De onde vem esta tese de que a sociedade é culpada, e o bandido, vítima, mesmo se empurra num precipício um ônibus com mais de 20 pessoas dentro?

* Graças ao Imposto Sindical -descontado compulsoriamente do salário dos trabalhadores-, sindicatos fantasmas proliferam. A CUT e a Força Sindical passaram a defender a manutenção do imposto. Elas são também entidades fantasmas?

* Dá para levar a sério um ministro do futuro que quer construir, na Amazônia, um aqueduto romano?

* Se defender o respeito às leis e o combate ao crime organizado é ser de direita, o que é ser de esquerda? Deixar os favelados entregues ao terror dos bandidos?

* Há muitos jovens criminosos que querem sair do crime e não sabem como. Não é justo abrir urgentemente uma porta para eles?

* Por que, no Brasil, punem-se só 7% dos crimes de colarinho branco?

* Acredita mesmo que um rapaz de 17 anos, que assalta e mata, não sabe o que faz?

* Designar negros e pardos como afro-brasileiros significa que brasileiros são só os "brancos"? E se esses passarem a se chamar de euro-brasileiros ou nipo-brasileiros, o que restará como povo brasileiro, os índios? E se estes disserem que são anteriores à criação do Brasil?

* Por que o Banco Central permite que os bancos privados suguem os clientes até a medula dos ossos?

* E finalmente cabe perguntar a um certo chefe de Estado sul-americano: "Por qué no te callas?"

Por Ferreira Gullar, A Folha de São Paulo - 27/01/2008.

Um comentário:

marcos lustosa disse...

um promotor quanto ele ganha

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O Ministério Público que queremos e estamos edificando, pois, com férrea determinação e invulgar coragem, não é um Ministério Público acomodado à sombra das estruturas dominantes, acovardado, dócil e complacente com os poderosos, e intransigente e implacável somente com os fracos e débeis. Não é um Ministério Público burocrático, distante, insensível, fechado e recolhido em gabinetes refrigerados. Mas é um Ministério Público vibrante, desbravador, destemido, valente, valoroso, sensível aos movimentos, anseios e necessidades da nação brasileira. É um Ministério Público que caminha lado a lado com o cidadão pacato e honesto, misturando a nossa gente, auscultando os seus anseios, na busca incessante de Justiça Social. É um Ministério Público inflamado de uma ira santa, de uma rebeldia cívica, de uma cólera ética, contra todas as formas de opressão e de injustiça, contra a corrupção e a improbidade, contra os desmandos administrativos, contra a exclusão e a indigência. Um implacável protetor dos valores mais caros da sociedade brasileira. (GIACÓIA, Gilberto. Ministério Público Vocacionado. Revista Justitia, MPSP/APMP, n. 197, jul.-dez. 2007)