A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.


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13 de outubro de 2008

Injeção de ânimo


Em nossa luta cotidiana como membro do Ministério Público, há momentos em que o desânimo se torna inexorável diante de algumas situações incompreensíveis, que fogem por completo à lógica humana e à ordem natural das coisas e da vida. É, mais ou menos, quando acontece aquilo que, dia destes, deu azo ao desabafo de dois Procuradores da República no Paraná (clique aqui).

Em outras palavras, é aquele fatídico momento em que a famosa profecia de Rui Barbosa parece ter se concretizado: De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto (BARBOSA, Rui. Obras Completas. Rio de Janeiro: Senado Federal, 1914, v. 41, t. 3, p. 86).

Daí que, vivendo a vida, um dia qualquer, uma hora qualquer, quando a gente menos espera, ao ler um texto, o desânimo, instantaneamente, bate em retirada e, em seguida, a psique é inundada por uma chuva torrencial de otimismo e esperança no sentido de que nem tudo está perdido. É o revigoramento do idealismo. O mesmo que nos trouxe à carreira do Ministério Público, que nos moveu pela árdua rota de se tornar um Promotor de Justiça.

Para maior clareza, segue uma dessas passagens paradigmáticas, oriunda da pena do também grandioso Paulo Freire:

Sei que as coisas podem até piorar, mas sei também que é possível intervir para melhorá-las.

(...)

Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu “destino” não é um dado mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a história em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não determinismo
(FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 52-53).

Pensamento, realmente, digno de exaltação e reflexão na dura caminhada pela construção d'uma sociedade mais justa. Verdadeira injeção de ânimo.

Avante, então, irmãos de Ministério Público!

Por César Danilo Ribeiro de Novais, Promotor de Justiça no Mato Grosso.

Um comentário:

Anônimo disse...

Valeu César. É isso mesmo!

Abraço

Paulo

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O Ministério Público que queremos e estamos edificando, pois, com férrea determinação e invulgar coragem, não é um Ministério Público acomodado à sombra das estruturas dominantes, acovardado, dócil e complacente com os poderosos, e intransigente e implacável somente com os fracos e débeis. Não é um Ministério Público burocrático, distante, insensível, fechado e recolhido em gabinetes refrigerados. Mas é um Ministério Público vibrante, desbravador, destemido, valente, valoroso, sensível aos movimentos, anseios e necessidades da nação brasileira. É um Ministério Público que caminha lado a lado com o cidadão pacato e honesto, misturando a nossa gente, auscultando os seus anseios, na busca incessante de Justiça Social. É um Ministério Público inflamado de uma ira santa, de uma rebeldia cívica, de uma cólera ética, contra todas as formas de opressão e de injustiça, contra a corrupção e a improbidade, contra os desmandos administrativos, contra a exclusão e a indigência. Um implacável protetor dos valores mais caros da sociedade brasileira. (GIACÓIA, Gilberto. Ministério Público Vocacionado. Revista Justitia, MPSP/APMP, n. 197, jul.-dez. 2007)