A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.


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16 de agosto de 2008

Vota-se ou procura-se?


O Brasil às vezes me dá impressão de ser como aqueles indivíduos que vivem fora da realidade, isto é, em seu universo próprio. No mundo político a coisa já é diferente, ainda que seja a outra face, vejam bem, da mesma moeda. No particular, vivemos como se não houvesse vida privada, o que é próprio dos paranóicos, ou seja, onde tudo parece público, com um olhar atento. E o que de fato é público, no âmbito político, soa como algo puramente privado. Não há conseqüências públicas, se é que me entendem.

E por que é assim? Essa é a questão. Recentemente li uma entrevista do historiador Eduardo Bueno, onde ele dizia algo mais ou menos parecido, embora aprofundasse a questão, tocando no viés jurídico, que segundo ele, seria o local próprio para se começar uma reforma profunda nos mores (costumes) desse país.

Eduardo Bueno na referida entrevista citou o caso da Itália, com a famosa “operação mãos limpas” ocorrida exataente dentro do judiciário daquele país, tido como tão corrupto quanto o nosso. O nosso judiciário é realmente uma lástima. De acordo com Bueno, que tem escrito de uma forma inovadora sobre a nossa história, para se mudar a cultura tupiniquim em profundidade, só mesmo fazendo uma mudança radical dentro do corpo jurídico. Para ele, é ali, que se deve mudar e onde residem os nossos grandes males. Alguém pode discordar? Eu não.

De qualquer forma, sabemos que a corrupção é endêmica na esfera executiva e legislativa espalhada por todos os estados da federação. Mas com um judiciário que não faça parte dessa banda podre, seria impossível estarmos convivendo com a gatunagem e ladroagem ao longo de séculos.

Antes do livro de Laurentino Gomes, “1808” lançado recentemente e que é sucesso de crítica e público, no país, o que é bom, mostrar as raízes dessa nossa endemia, o próprio Eduardo Bueno através de seus livros, também já vem tocando nessas feridas e chagas abertas ao longo da nossa história. Uma nova leva de escritores que possam explorar e investigar essa nossa chaga se faz por demais necessário, se queremos de fato, alterar os nossos costumes políticos.

É impossível que esse país não mude. É impossível. A questão é que a lentidão com que isso possa vir a ocorrer, tira de todos nós que queremos mudanças, a esperança de ser algo mais imediato. Como é possível haver tantas “operações”, a nível nacional, estadual e municipal, que não resulte em absolutamente nada?

Usar como argumento a justificativa apenas porque supostamente fatores econômicos parecem ir bem, é não termos a menor idéia do que seja civilização. Se é que queremos mesmo isso. E sinceramente, muitas vezes tenho serias dúvidas disso. Entre nós aqui, para ficamos no metier local, é algo alarmante.

Honestamente, quando vejo algum carro de propaganda circulando nas ruas com uma foto grande estampada e uns dizeres anunciando um candidato nas eleições que se avizinham, me vem logo à mente: candidato a ladrão. Sinceramente nesse momento, o slogan que eu reproduzo é: vota-se ou procura-se?

Por Laurence Bittencourt Leite, jornalista

Um comentário:

Vellker disse...

Sim, é impossível que esse país não mude. Mas de forma pacífica não muda mais. Vivemos nos dias de hoje o estado do crime que ao longo desses últimos 20 anos, montou-se num falso estado de direito, onde os três poderes na verdade se tornaram três esconderijos, com seus membros e amigos de fora blindados jurídicamente. Está aí a razão de tantas prisões e nada acontecer. É assim que acusados e traidores da nação passam de réus a acusadores insolentes e continuam como delinqüentes contumazes. As coisas vão mudar sim, mas lembremos do que aconteceu na Itália com o General Dalla Chiesa quando enfrentou a Máfia, o que aconteceu com o Juizes Falcone e Borsellino. Só aí o povo italiano apoiou um resposta sem tréguas contra o crime organizado, o mesmo que hoje se ramifica nos três poderes no Brasil. Juristas e legisladores bons e leais, existem, mas começam a perder de vez essa batalha. Portanto, para mudar mesmo esse país, o primeiro pensamento que devemos ter em mente é que os criminosos diplomados, togados e eleitos que hoje atacam o povo brasileiro, jamais sairão do poder pacíficamente.

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O Ministério Público que queremos e estamos edificando, pois, com férrea determinação e invulgar coragem, não é um Ministério Público acomodado à sombra das estruturas dominantes, acovardado, dócil e complacente com os poderosos, e intransigente e implacável somente com os fracos e débeis. Não é um Ministério Público burocrático, distante, insensível, fechado e recolhido em gabinetes refrigerados. Mas é um Ministério Público vibrante, desbravador, destemido, valente, valoroso, sensível aos movimentos, anseios e necessidades da nação brasileira. É um Ministério Público que caminha lado a lado com o cidadão pacato e honesto, misturando a nossa gente, auscultando os seus anseios, na busca incessante de Justiça Social. É um Ministério Público inflamado de uma ira santa, de uma rebeldia cívica, de uma cólera ética, contra todas as formas de opressão e de injustiça, contra a corrupção e a improbidade, contra os desmandos administrativos, contra a exclusão e a indigência. Um implacável protetor dos valores mais caros da sociedade brasileira. (GIACÓIA, Gilberto. Ministério Público Vocacionado. Revista Justitia, MPSP/APMP, n. 197, jul.-dez. 2007)