A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.


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5 de agosto de 2008

Aposentadoria do ex-PGR Cláudio Lemos Fonteles


Estimadas(os) Colegas:

Encerro minhas atividades no serviço público oficial.

Caminho por outro caminho, e lanço-me a novo desafio.

Ter sido Procurador da República deu significado profissional à opção feita, ainda nos bancos universitários, de empenhar-me na vivência de ideal – palavra tão esquecida nos dias de hoje – de fraternidade, honestidade e trabalho.

35 anos servindo à Sociedade brasileira e ao Ministério Público Federal enchem-me de alegria por sonhos, que vivi; tantas e tantos colegas com quem convivi; dificuldades, que superei.

Agradeço a todas e a todos, mesmo aquelas e aqueles que significaram desencontro, e lhes digo que ser Ministério Público, para mim, é o que há de mais valioso na vida profissional, porque quebramos a inércia. Titulares, que somos, da postulação, mantemos aceso o movimento contínuo, que é a vida, nas suas infindáveis dimensões.

A propósito, entrego-lhes poema, que escrevi, motivado pela questão judicial mais importante, que me foi dado suscitar na profissão, por dizer com o envolvimento pleno com a vida humana.

Eis o poema:


"O que todos somos"

Claudio Fonteles


I


Ainda tão imperceptível

por todos

mesmo por quem o acolhe

todavia é.


II


Desde a fecundação

expressão própria da união

livre ou constrangida

de quem inexoravelmente pai e mãe

todavia traça seu itinerário

na construção desde então

autônoma do que é


III


Movimenta-se em ciclos

mais ou menos incessantes

todavia contínuos

porque experimenta

o silêncio da madrugada escura

que o conduz ao nascer

a festa de cores e luzes

convite ao crescer

o deixar-se em suspiro último

possibilidade de transcender

além do que é.


Termino com estrofe de canção muito bonita:


“Até um dia, até talvez, até quem sabe”.


Paz e Bem!


Nota: destaque não constante no original.

Um comentário:

Anônimo disse...

Grande homem. Foi meu professor na faculdade e aprendi com ele muito mais do que Direito, aprendi lições de vida. Um brasileiro digno e consciente. Um verdadeiro homem de bem.

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O Ministério Público que queremos e estamos edificando, pois, com férrea determinação e invulgar coragem, não é um Ministério Público acomodado à sombra das estruturas dominantes, acovardado, dócil e complacente com os poderosos, e intransigente e implacável somente com os fracos e débeis. Não é um Ministério Público burocrático, distante, insensível, fechado e recolhido em gabinetes refrigerados. Mas é um Ministério Público vibrante, desbravador, destemido, valente, valoroso, sensível aos movimentos, anseios e necessidades da nação brasileira. É um Ministério Público que caminha lado a lado com o cidadão pacato e honesto, misturando a nossa gente, auscultando os seus anseios, na busca incessante de Justiça Social. É um Ministério Público inflamado de uma ira santa, de uma rebeldia cívica, de uma cólera ética, contra todas as formas de opressão e de injustiça, contra a corrupção e a improbidade, contra os desmandos administrativos, contra a exclusão e a indigência. Um implacável protetor dos valores mais caros da sociedade brasileira. (GIACÓIA, Gilberto. Ministério Público Vocacionado. Revista Justitia, MPSP/APMP, n. 197, jul.-dez. 2007)