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Por Almir Pazzianotto Pinto, ex-Ministro do Trabalho e ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho - Migalhas Jurídicas.
A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.
O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incubindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. (CF, art. 127)
É o agente do Ministério Público que se esmera na titânica luta em busca do bem comum, não dando tréguas àqueles que se desviam dos ditames constitucionais e legais, com os olhos sempre voltados à concretização da Justiça.
César Danilo Ribeiro de Novais - Promotor de Justiça do Tribunal do Júri.

O Ministério Público que queremos e estamos edificando, pois, com férrea determinação e invulgar coragem, não é um Ministério Público acomodado à sombra das estruturas dominantes, acovardado, dócil e complacente com os poderosos, e intransigente e implacável somente com os fracos e débeis. Não é um Ministério Público burocrático, distante, insensível, fechado e recolhido em gabinetes refrigerados. Mas é um Ministério Público vibrante, desbravador, destemido, valente, valoroso, sensível aos movimentos, anseios e necessidades da nação brasileira. É um Ministério Público que caminha lado a lado com o cidadão pacato e honesto, misturando a nossa gente, auscultando os seus anseios, na busca incessante de Justiça Social. É um Ministério Público inflamado de uma ira santa, de uma rebeldia cívica, de uma cólera ética, contra todas as formas de opressão e de injustiça, contra a corrupção e a improbidade, contra os desmandos administrativos, contra a exclusão e a indigência. Um implacável protetor dos valores mais caros da sociedade brasileira. (GIACÓIA, Gilberto. Ministério Público Vocacionado. Revista Justitia, MPSP/APMP, n. 197, jul.-dez. 2007)
“Com a reconstrução da ordem constitucional, emergiu o MP sob o signo da legitimidade democrática. Ampliaram-se-lhe as atribuições; dilatou-se-lhe a competência; reformularam-se-lhe os meios necessários à consecução de sua destinação constitucional; atendeu-se, finalmente, a antiga reivindicação da própria sociedade civil. Posto que o MP não constitui órgão ancilar do governo, instituiu o legislador constituinte um sistema de garantias destinado a proteger o membro da instituição e a própria instituição, cuja atuação autônoma configura a confiança de respeito aos direitos, individuais e coletivos, e a certeza de submissão dos Poderes à lei.” (Min. Celso de Mello, STF - RTJ 147/161)
As opiniões aqui veiculadas não espelham o pensamento do Ministério Público, senão dos autores que subscrevem os textos.
Um comentário:
E podemos dizer, seguindo as idéias do articulista que a criminalidade se deve ao sistema democrático e à cidadania? Uma pergunta simples: porquê os corruptos roubam centenas de milhões do dinheiro público, sujeitando a nação a sofrimentos enormes? Porquê eles tem a coragem de afrontar a justiça que temos aqui? Simples, porque saem ricos, se denunciados respondem um "processinho", se forem presos pegam uma "cadeinha especial" e logo estão em casa rindo e gastando o dinheiro da nação. No noticiário desses dias foi mostrado um corrupto chinês, que desviou 1 milhão de dólares do dinheiro público e algemado, ladeado por policiais no tribunal chinês, com absoluto abatimento e desesperança no olhar ouvia a sentença: pena de morte. Foi executado três dias depois. E aqui no Brasil o que vemos? Corruptos dando entrevistas, acusando seus denunciantes de "falta de ética", saindo da cadeia tranqüilos e acima de tudo, sorridentes e despreocupados. Se fosse de acordo com a justiça chinesa, seria assim: todos os bens confiscados e fuzilamento em três dias. Mas esse sistema que temos aqui, nada mais é do que um verdadeiro criame de corruptos, fartamente alimentados às custas da nação.
Vellker
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