A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.


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5 de maio de 2007

Balas, anos e vidas perdidas


PARIS - O site Contas Abertas desencavou ontem estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que mostra que, só no ano de 2001, as mortes causadas pela violência nas suas diversas formas causaram perdas em valor equivalente a R$ 20,1 bilhões à economia brasileira.

Reproduzo dados essenciais do texto de Mariana Braga para o Contas Abertas: "Para ter uma idéia do prejuízo anual gerado pela violência, o custo resultante das mortes em 2001 é quase quatro vezes maior do que a totalidade dos gastos globais, no ano passado, do Ministério da Justiça, responsável por parte das políticas nacionais de segurança. Os óbitos registrados resultaram em um total de 4,96 milhões de anos de vida perdidos".

Só as mortes por homicídio geraram um prejuízo de R$ 9,1 bilhões em termos de perda de produtividade humana. O valor supera, sempre segundo o "site, o orçamento deste ano do Ministério da Integração Nacional.

Sei que pode parecer brutal transformar vidas humanas em moeda, mas talvez seja a única maneira de realmente provocar algum choque em uma sociedade anestesiada, assim como os governos (estaduais, municipais e federal).

Não por acaso, o site G1, das Organizações Globo, recolhe declarações de mais uma vítima de bala perdida no Rio de Janeiro, a universitária e adestradora de cães Renata Ramires Miranda, 32 anos, atingida por um estilhaço na perna esquerda na noite de quarta-feira, na faculdade Estácio de Sá.

Diz Renata: "Ninguém se assusta mais com os disparos. Eu e meus colegas já consideramos normal ouvir barulho de tiros durante as aulas".

Se balas perdidas e vidas igualmente perdidas já entraram para a, digamos, normalidade, quem sabe colocando preço nelas alguém resolva se mexer.

Por Clovis Rossi, Folha de São Paulo - 04/05/07.

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