A vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Esta é a lida do Promotor de Justiça: lutar pela construção contínua da cidadania e da justiça social. O compromisso primordial do Ministério Público é a transformação, com justiça, da realidade social.


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5 de março de 2007

Urgência de Mudança


Já que a Justiça não vai ao crime, o crime vai à Justiça.

Não é que a Justiça no Brasil não funcione; é apenas uma questão de moda: enquanto os juízes usam aquelas capas pretas chiquérrimas, os bandidos andam de bermuda e sandália havaiana. É também uma questão de época: a lei é analógica; o crime é digital.

E o que apavora não é apenas a impunidade, é que a organização penal está ficando ridícula. As prisões viram motéis para assaltantes em regime semi-aberto. As drogas entram nos chuchus, nos nabos e nas abóboras, sob o tilintar dos celulares ordenando seqüestros, enquanto o Beira-Mar passeia de avião.

Mas já que a Justiça não vai ao crime, o crime vai à Justiça: a presidente e o vice do Supremo já foram assaltados na Linha Vermelha e ficaram ali, a pé, de noite... o ministro da Fazenda ficou refém de bandidos que sua esposa considerou “assaltantes gentis”.

Talvez no dia em que o Supremo Tribunal for assaltado, pode ser que a Justiça tire a venda dos olhos e entenda que o crime está cada vez mais rápido – e a lei os trata com a lentidão do tempo em que os telefones eram pretos e as geladeiras brancas.

Mas não adianta: ninguém assume a urgência de mudança nas execuções penais, nos códigos arcaicos. No Brasil, Judiciário e Legislativo só dialogam para discutir salários.

In Jornal da Globo, 1º/03/07, por Arnaldo Jabor.

Um comentário:

Paulo Muler disse...

É o ditado popular: pimenta nos olhos dos outros é refresco.
O dia em que assassinarem um querido de algum ministro do STF, talves eles mudem as posições pro bandidos e comecem a julgar em favor da sociedade de bem. É o direito penal do mau!

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O Ministério Público que queremos e estamos edificando, pois, com férrea determinação e invulgar coragem, não é um Ministério Público acomodado à sombra das estruturas dominantes, acovardado, dócil e complacente com os poderosos, e intransigente e implacável somente com os fracos e débeis. Não é um Ministério Público burocrático, distante, insensível, fechado e recolhido em gabinetes refrigerados. Mas é um Ministério Público vibrante, desbravador, destemido, valente, valoroso, sensível aos movimentos, anseios e necessidades da nação brasileira. É um Ministério Público que caminha lado a lado com o cidadão pacato e honesto, misturando a nossa gente, auscultando os seus anseios, na busca incessante de Justiça Social. É um Ministério Público inflamado de uma ira santa, de uma rebeldia cívica, de uma cólera ética, contra todas as formas de opressão e de injustiça, contra a corrupção e a improbidade, contra os desmandos administrativos, contra a exclusão e a indigência. Um implacável protetor dos valores mais caros da sociedade brasileira. (GIACÓIA, Gilberto. Ministério Público Vocacionado. Revista Justitia, MPSP/APMP, n. 197, jul.-dez. 2007)