29 de maio de 2017

Prova Testemunhal


"Há um par de anos ocorreu em Gottinger um encontro organizado por uma associação cientifica na qual participaram juristas, psicólogos e médicos, ou seja, pessoas habituadas a uma observação atenta. Casualmente, na mesma rua decorria um desfile de Carnaval. De improviso, no decurso da sessão, as portas abriram-se de par em par e um palhaço vestido com um traje de cores vivas irrompeu na sala seguido de um negro com um revólver na mão. Primeiro um e depois o outro gritaram frases agressivas e de imediato um caiu por terra e o outro caiu-lhe em cima. Ocorreu um disparo. Imediatamente ambos abandonaram a sala. O episódio durou menos de vinte segundos. Apanhou todos de surpresa e ninguém, com exceção do presidente, se deu conta de que a cena tinha sido cuidadosamente preparada e fotografada durante o tempo em que ocorreu. Seria natural que o presidente pedisse aos presentes que cada um deles fizesse uma descrição sobre o fato, na medida que poderia ter alguma relevância judicial. Dos quarenta escritos apresentados só surgiu um em que faltavam menos de 20% dos dados caracterizadores do estranho episódio. Quatorze apresentavam lacunas entre 20% e 40%. Em doze as lacunas alcançavam entre 40% e 50%. Em treze superavam os 50%. Para além das omissões apenas seis pessoas em quarenta não referiram as coisas erroneamente. Em vinte e quatro das informações escritas pelo menos 10% do que se relatou eram invenções. Em dez respostas (quer dizer uma em cada quatro) mais de 10% do que foi escrito era absolutamente falso. Isto não obstante o fato de que todos os espectadores da cena eram observadores bem preparados".


Fonte: On the Witness Stand. Essays on Psycohology and Crimes, New York, Clark-Broodam 1908, 51. Citado por D. Carponi Schitarra, Esame diretto e contraesame nel processo accusatorio, Cedam, Padova, 1989, pp. 79-80.

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