Morre
(em mim)
meu país.
Morre
com meus amigos
que morrem
morre em cada dia
que morre
morro
em cada notícia de jornal
morro
a cada decreto espúrio
que me expropria o mais banal
morro
em minha casa
nas favelas e morros.
Morre (em mim ) um sonho de país
uma ilusão histérica ou histórica.
Como um doente terminal, cabeça lúcida
vê fanar-se canceroso o corpo corroído
glânglios inchados
nódulos nos seios
avanço lento para a treva
em em vez do romântico arrebol
Vivo
Num país que me des/mata
respiro
num país que me enfumaça
acuado
num país que se sequestra
e como resgate exige
minha alma selvagem em pêlo.
Humildemente me recolho.
Procuro um colo ou ombro.
Irmão, eu choro
Um amazônico desconsolo.
*Poema de 1992.
Affonso Romano Santanna

Nenhum comentário:
Postar um comentário